”A tempera de uma alma é dimensionada na razão direta do teor de poesia que ela encerra” (Horácio Quiroga)

16 de setembro de 2010

Desmaio

Primeiro foi uma explosão,
Abafada, muito lá dentro de mim;
Uma explosão contida, curta.
Um inverso da criação.
Posteriormente a sensação de luz:
De início um violeta suave, doce;
Em seguida, vermelhos e laranjas,
Quentes, ácidos, despertantes;
Em uma revolução crescente,
Com movimentos centrípetos.

Num dado instante tudo cessou,
Um vazio completo se fez
E uma névoa de alvor cintilante,
Etérea, vigorosa, sobranceira,
Dominou o vazio, completando-o;
Fartando-o de substância vital.
Então, sobrevieram os sons.
Pareceram-me oboés, vários oboés,
No entanto poderiam ser requintas
Ou, quem sabe, flautas transversas.

Somente depois, bem depois,
Vieram as sensações físicas:
Vozes, odores, um frio viscoso
E uma intensa dor por todo corpo.
Uma mão tocava, leve, meu pulso;
Um nauseante burburinho, sufocava.
Quando abri os olhos, vi a terra,
Suja, áspera, seca; elemento tão vital.
Percebi ainda minúscula formiga,
Que docemente acarinhava minha mão.

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